quarta-feira, 23 de maio de 2018

Por que a morte da blogueira Nara Almeida causou tanta comoção?

Por Nina Lemos
“São tempos estranhos, esses que vivemos”, minha amiga, que como eu, “vive” na internet, faz esse comentário depois de me dar a noticia da morte da blogueira Nara Almeida. “Coitada!”, nós lamentamos, sinceramente comovidas. E tentamos entender a comoção causada pela morte da moça. Não conhecíamos Nara, como milhares de pessoas, éramos suas seguidoras no Instagram.
 Nara Almeida, que morreu na madrugada de segunda-feira, era uma menina de 24 anos que lutava contra um agressivo câncer de estômago desde o ano passado. Antes de descobrir a doença, ela era mais uma menina a postar fotos de looks do dia e seu estilo de vida. Depois, com a descoberta da doença, passou, também a mostrar cada detalhe de sua luta pelas redes sociais. Ela fazia foto maquiada, arrumada, mas exibindo uma sonda, que precisava para se alimentar. Gravava vídeos contando detalhes do tratamento e também de sua diversão com os amigos e o namorado, apesar do sofrimento em que vivia.


E também mensagens de incentivo para os seguidores, falando, por exemplo, para que eles aproveitassem as coisas pequenas da vida, tipo tomar um copo d’água, que ela, internada, não  podia mais.
 Nara ganhou fãs no Brasil inteiro. Virou uma celebridade da internet, com mais de 4 milhões de seguidores no Instagram. A morte de Nara foi parar nos noticiários de TV e foi o tópico mais comentado no Twitter durante toda a segunda feira. Na terça, enquanto escrevia esse texto, seu nome ainda estava entre os assuntos mais falados e sua morte era noticiada em sites de todo o mundo. Personalidades como Tata Werneck e políticos como Manuela D’Ávilla lamentaram a sua morte e disseram também serem suas seguidores. Tata foi uma das famosas a dizer que se comunicava com ela por mensagens.
Sim, a morte de Nara gerou uma comoção, como se ela fosse uma pessoa de verdade. Mas, espera, ela não era? Era, sim! Os conceitos de fama mudaram, assim como as paredes que separam a vida virtual da real. Os mais jovens já estão ligados disso. Para a maioria deles, isso é apenas normal. Nós,  trintões, quarentões, cinquentões… ou aceitamos e tentamos entender isso ou vamos perder o bonde. Vivemos em uma época em que as pessoas são famosas por aparecerem na internet e têm fãs. E sim, simpatia e amizade virtuais podem ser coisas reais.
 Rede social e cidade do interior
 Falo por mim, que já sofri de verdade com morte de pessoas que conhecia do Twitter, algumas delas eu nunca tinha nem trocado uma palavra pela rede, mas as lia, gostava delas Já torci por pessoas que iriam fazer um procedimento de saúde difícil, pedi notícias, quis saber como estavam. Sim, eu gosto de gente que eu nunca vi. E quem não é assim, em tempos de redes sociais?
A internet e nossas bolhas parecem cidades do interior. Quem, como eu, cresceu em uma cidade pequena, sabe que sempre existe uma notícia ruim, a prima do fulano da padaria que está doente, o irmão da mulher do filho do João do bar que sofreu uma tragédia e por aí vai. A impressão é de que sempre tem alguém doente ou morrendo. Nas redes, temos contato com um grupo imenso de pessoas. E vez ou outra uma notícia dessas chega: “sabia que o fulano do Twitter morreu?”
E essa notícia sempre triste (em níveis diferentes, se somos amigos de anos de vida real, carne e osso da pessoa, claro), mas sempre é triste. #RIPNARA.

Fonte:https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2018/05/23/por-que-a-morte-da-blogueira-nara-almeida-causou-tanta-comocao/

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